Como criar gênios na matemática
Devo confessar que fiquei profundamente feliz com a noticia
que li semana passada a respeito do menino brasileiro que criou uma fórmula matemática para
simplificar a multiplicação.
O mais importante, e que talvez tenha passado
desapercebido para a maioria das pessoas, não é a fórmula em si, mas como ele
chegou a ela. Na matéria publicada pelo Diário de Pernambuco¹, Renato Sette conta
que não achava matemática fácil até conversar com uma colega de turma que
dominava sem dificuldades os números. “Ela disse que aprendeu por uma
metodologia que incentiva a autonomia nos estudos. Pedi aos meus pais para me
matricularem no curso onde ela estudava e aprendi que matemática só é difícil
porque você não reflete sobre o que está fazendo e repete operações automaticamente. Quando você
entende, tudo fica mais fácil”, diz o estudante.
Após assistir a demonstração de sua formula pelo site do
G1², corri para reproduzir com a escala e procurar entender seu raciocínio.
Posso dizer que realmente ele criou uma excelente estratégia de multiplicação
de qualquer número por 9.
Essa notícia veio muito bem a calhar porque, podemos tirar
duas lições deste fato: a matemática tem de ser ensinada de forma a dar
autonomia ao aluno (filho), deixando que ele descubra as possibilidades por si.
Pois embora a matemática seja exata ela não é rígida, há inúmeras formas de
chegar ao mesmo resultado. E a melhor forma de fazer isso com as crianças é
partir de algo que tenha sentido para elas no dia a dia, para que elas se
conscientizem que a matemática faz parte da vida. Por exemplo: meu filho de 5
anos outro dia me perguntou quantas folhas tinha gasto com origamis feito para
os irmãos. Ele sabia que tinha usado 2 folhas para cada um dos dois irmãos e
duas para ele. Então, disse que tentasse resolver com a escala. Passado alguns
minutos encontrou o resultado. Ele não conhece o conceito de multiplicação,
mas aplica o conceito com a escala facilmente. Quando eu mostrar abstratamente
este conceito ele vai saber do que se trata, pois conhece bem na prática e
manipula com facilidade. E assim aproveito todas as oportunidades possíveis para
instigar que encontrem soluções para os problemas do dia a dia com o material. A Escala Cuisenaire não é o único material possível para realizar isso, mas é sem
duvida um excelente material.
Pois era essa a autonomia que almejavam os professores que
usavam a Escala logo no princípio de sua descoberta: lançar questões e, com o
material, deixar com que os alunos tentassem resolvê-los, sem ensinar fórmulas, de modo que eles
descobrissem por experiência as várias propriedades dos números. (Escreverei mais sobre isso futuramente).
A outra lição que nos ensina é que a partir do momento que
se se guia a criança a achar uma alternativa para um problema ela estará
atenta ao que está fazendo e não simplesmente repetindo uma operação
de maneira automática.