quarta-feira, 14 de outubro de 2015


Devo confessar que fiquei profundamente feliz com a noticia que li semana passada a respeito do menino brasileiro que criou uma fórmula matemática para simplificar a multiplicação.

O mais importante, e que talvez tenha passado desapercebido para a maioria das pessoas, não é a fórmula em si, mas como ele chegou a ela. Na matéria publicada pelo Diário de Pernambuco¹, Renato Sette conta que não achava matemática fácil até conversar com uma colega de turma que dominava sem dificuldades os números. “Ela disse que aprendeu por uma metodologia que incentiva a autonomia nos estudos. Pedi aos meus pais para me matricularem no curso onde ela estudava e aprendi que matemática só é difícil porque você não reflete sobre o que está fazendo e  repete operações automaticamente. Quando você entende, tudo fica mais fácil”, diz o estudante.

Após assistir a demonstração de sua formula pelo site do G1², corri para reproduzir com a escala e procurar entender seu raciocínio. Posso dizer que realmente ele criou uma excelente estratégia de multiplicação de qualquer número por 9.

Essa notícia veio muito bem a calhar porque, podemos tirar duas lições deste fato: a matemática tem de ser ensinada de forma a dar autonomia ao aluno (filho), deixando que ele descubra as possibilidades por si. Pois embora a matemática seja exata ela não é rígida, há inúmeras formas de chegar ao mesmo resultado. E a melhor forma de fazer isso com as crianças é partir de algo que tenha sentido para elas no dia a dia, para que elas se conscientizem que a matemática faz parte da vida. Por exemplo: meu filho de 5 anos outro dia me perguntou quantas folhas tinha gasto com origamis feito para os irmãos. Ele sabia que tinha usado 2 folhas para cada um dos dois irmãos e duas para ele. Então, disse que tentasse resolver com a escala. Passado alguns minutos encontrou o resultado. Ele não conhece o conceito de multiplicação, mas aplica o conceito com a escala facilmente. Quando eu mostrar abstratamente este conceito ele vai saber do que se trata, pois conhece bem na prática e manipula com facilidade. E assim aproveito todas as oportunidades possíveis para instigar que encontrem soluções para os problemas do dia a dia com o material. A Escala Cuisenaire não é o único material possível para realizar isso, mas é sem duvida um excelente material.

Pois era essa a autonomia que almejavam os professores que usavam a Escala logo no princípio de sua descoberta: lançar questões e, com o material, deixar com que os alunos tentassem resolvê-los, sem ensinar fórmulas, de modo que  eles descobrissem por experiência as várias propriedades dos números.  (Escreverei mais sobre isso futuramente).

A outra lição que nos ensina é que a partir do momento que se se guia a criança a achar uma alternativa para um problema ela estará atenta ao que está fazendo e não simplesmente repetindo uma operação de maneira automática.

Mas mesmo que nossos filhos não se tornem gênios na matemática, que, ao ensinar-lhes esta postura, mudemos a realidade das crianças e adultos brasileiros que temem a matemática porque não foram conduzidos no caminho certo para conhecê-la.

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